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quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Revolução dos Versos

Revolução dos Versos...

O objetivo como um todo, como já dito antes, é promover a
volta da poesia como manifestação cultural me massa (da população),
mas o objetivo inicial do movimento é dar uma resposta (poética) à
violência vivida por todos.

Essa violência é vivida por todos os cariocas e também por todos os
brasileiros...

O fato que me incentivo a começar de forma aleatória o sarau no Largo
da Carioca foi a ocupação do Morro do Alemão, em que as Forças
Militares (polícia e marinha) se uniram para efetuar a invasão, com
tanques de guerra e tudo mais. Eu tinha feito um sarau na sexta
anterior na barraca do Carlão - a primeira sexta-feira do mês de
dezembro.

Com a ocupação eu voltei lá na porque achei importante realizar o
sarau logo após a ocupação para marcar uma manifestação artística,
contra a violência, no Centro do Rio. Até avisei à imprensa, mas as
atenções estavam voltadas para a ocupação e a mídia concentrada em
frente ao batalhão de Olaria ou em frente ao Penha Shopping, próximos
à minha casa.

mas serviu como um marco do sarau para ele se afirmar como uma
resposta, um grito contra a violência.

Na época até entreguei uma carta para uma repórter que estava em
frente ao Shopping com a poesia Rosas e Armas e fui embora. Essa
poesia é a mesma que proclamou a Revolução dos Versos no dia 29 de
outubro de 2009 na Penha - o sarau é bairrista - e, penso eu, é
representativa do estado de espírito das pessoas, não só na época, mas
também agora, por exemplo, com o ataque Terrorista do colégio Tarsso
da Silveira, em que o cara se matou.

        Rosas e Armas

Rosas são lindas,
Armas são fogo.
Rosas exalam,
Armas atiram.
Rosas dão cores,
Armas as tiram.
Rosas podem ser armas,
Armas nunca poderão ser rosas...     (Dennys Andrade)

Essa poesia está no meu primeiro livro intitulado "Um Toque de
Poesia", que foi feito através de uma produção independente no ano de
2001. Aliás eu a fiz quando assisti, pela televisão, ao show dos GUNS
N' ROSES no Rock'n Rio, em 2001.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Espaço Comunitário - assista até o último bloco

<http://vimeo.com/20484449>

Renscimento

Foi durante o período da Idade Média que Philippe de Vitry, compositor francês, escreveu um tratado intitulado Nova Arte (Ars Nova, em latim) no qual aperfeiçoou a ecrita do ritmo musical.
Com este manual, (Ars Nova) os eruditos se apossaram de gêneros populares dos trovadores, em que se trabalham váruas vozes reunidas ao mesmo tempo, tendo por base o repertório mais profano do que sacro... Com o término da Idade Média a arte musical alcançou o aprimoramento, um certo requinte, refinando os ritmos, aderindo à combinação de vozes. Segundo Cyntia Gusmão "as melodias ficaram mais leves e fluidas, o que abriu caminho para o Renascimento.
No fim do século 14 as cidades dos Países baixos, como Veneza e Florença na Itália, ficaram cada vez mais ricas devido ao comércio empreendido, além do desenvolvimento financeiro dos proprietários ricos. Na época Gênova e Veneza tinham o molopólio do comércio com o Oriente, enquanto a busca por cada vez mais riqueza impulsionavam portugueses, espanhóis e ingleses a explorarem o mar com o auxílio da bússola, que começou a ser utilizada no século 12. No final do século 15 Cristovam Buarque chegou à América e em seguida, Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil.
Nesta época - Renascimento - o acúmulo de riqueza propriciou o desenvlvimento da ciência e da arte, que se iniciou por volta de 1430 e vai até 1600.
No Renascimento, período de mudança de atitude perante à vida e à sociedade.Durante este período há o estudo das culturas gregas e romanas em uma visão diferente da visão da Igreja, que colocava o homem como o centro de todas as coisas (visão Teocentrica)... É no Renascimento que a música recebeu cada vez mais estudos humanistas, como a poesia, a filosofia e o teatro.
Na Idade Média a música era associada aà teorias matemáticas: Pitágoras fez a tradução da música em números, proporções musicais...
Platão, por sua vez, descreveu no livro "A República" a história de Er, que era um soldado morto em combate. Na história ele ressuscita e começa a narrar o que viu no além:
"Um raio de luz brilhande, com as cores do arco-iris, que como uma faixa envolvia os planetas, a lua, o sol e as estrelas, mantendo-os unidos, e cada astro estava no interior de uma espiral que abrigava o astro. Assim, dessa forma, o sistema solar era um conjunto de anéis concêntricos... No alto de cada espiral situava-se uma sereia, cantando cada uma um som diferente. Eram escalas que soavam de acordo com o movimento dos astros - mito da Música das Esferas: segundo a autora este mito é tido como a inauguração da história da música.

   

terça-feira, 12 de abril de 2011

A Música Moderna, o desenvolvimento da poesia...

Guido d'Arezzo separou as sílabas de cada verso da canção, nomeando as escalas: Ut, ré, mi fá, só, lá.
Os textos - versos - dos hinos religiosos já existiam, ele alterou apenas a melodia para formar uma sequ~encia exata de notas musicais. É mais ou menos o que acontece queando um cantor põe melodia em de alguma poesia, como o Renato Russo fazia... A maioria das músicas da Legião Urbana foram musicadas por ele: "Ainda que eu falasse a língua dos homens. E eu falasse a lingua dos anjos, sem amor eu nada seria (Camões) .
Foi d'Arezzo que criou a escala musical que conhecemos atualmente - dó, ré, mi, fá, só lá si, e de novo o dó. Foi ele que criou a partitura, colocando pequenos sinais em cima de linhas horizontais e nos espaços entre elas, que representam a altora exata das notas musicais.
A poesia, como se vê, atravessa a história da música!  
A música profana, ou não sacra, surgiu no século 11 e eram cações satíricas e canções de gesta - gênero desenvolvido na França medieval, de caráter épico, com temas baseados em fatos históricos dos povos ou heróis, guerras históricas e dramas lendários.
AS canções satíricas eram cantadas em latim, na época, e as canções de gesta eram poemas épicos que contavam histórias de heróis - estas não eram cantadas em latim, mas sim na lingua vernácula corrente: a língua do povo.
Quem cantavam as músicas de gesta eram os jograis ou menestréis, que eram os artistas que vagavam pelas aldeias e castelos apresentando-se em troca de algum sustento - parecido com o que acontece agora com os poetas e artistas independentes do Rio de janeiro que se apresentam, aos domingos na Avenida Atlântica, em Copabacana, em troca de algumas gorjetas da população que os assistem.
Bem, esses artistas, trovadores dos anos de 1030 eram poetas - músicos eruditos, que disseminavam uma arte com valores sociais e humanos diferentes do rígido ensino religioso - como acontece em algumas poesias atuais - devido às Cruzadas: devido ao contato com culturas árabes e dos povos da Península Ibérica.
Foi devido á invasão árabe na Espanha, no ano de 711, foi introdu-zido instrumentos musicais - como a gaita e a sanfona - que foram incorporados à cultura da Europa.  
Na América as bombachas, como são chamadas a gaita e a sanfona nas regiões fronteiriças, surgiram nos tempos da Guerra do Paraguai (1864 - 1870), quandos a França repssou alguns instrumentos - excedentes de bombachas - aos países da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai). Antes deste fato estes instrumentos eram desconhecidos no Continente.
Como as canções trovadorescas eram cantadas nos dialetos locais de cada lugar, a língua falada foi inserida na poesia falada e também nas canções, que ganhavam novos contornos absorvendo as características, os ritmos, das línguas utilizadas.
Desta maneira, fazia-se uma poesia elegante, camtada com o acompanhamento de instrumentos como a arpa e a viela (antepassado do violino constituído de uma ou duas cordas musicais), flauta doce, trompetes, trobones, sinos, que antes não existiam na Europa. O alaude, vindo também da cultura árabe, se popularizou no continente na Renascença.
Os primeiros poemas trovadorescos que são conhecidos são do príncipe francês Guilherme Nono, que eram bem distantes do amor cortês, mas dizem que foram adocicados pela neta Eleonora de Aquitânia, que era tropairis (feminino de rovador). Ela veio a ser rainha da França e depois da Inglaterra também. 
     

A Idade Média

A Idade Média durou cerca de mil anos, a Igreja católica era o centro da vida cultural da Europa. A arte era restrita ao interior dos mosteiros e a música, até o século 16 era essencialmente de cunho religioso.
A arte era preservada em manuscritos, que segundo Cyntia Gusmão, esses manuscritos eram cuidadosamente desenhados pelos monges nas bibliotecas e gabinetes  de copistas  - os artistas copistas gostavam de usar coes vivas nas ilustrações que eram chamadas de ilustrações ou iluminuras. 
Nos hinos reliiosos, salmos, orações e cânticos - em latim - não se utilizavam instrumentos musiais, pois só as vozes considerasa à meditação sacra.
Os monges da época aprendiam os cantos de memória, que com o passar do tempo foram colocando sinais gráficos em cima  dos textos para indicar as flutuações... 
Foi por volta do ano de 1030 que Guido d'Arezzo , em um hino a São João Batista fez o primeiro verso em uma nota e no outro subiu um tom, e assim por diante até chegar ao último verso da canção - d'Arezzo provocou a alteridade nos cantos religiosos de sua época.

  

Início da Idade Média

Antes de adotar o cristianismo como religião Roma adotava a religião judaica. O cristianismo só foi adotado como religião n ano 300. Após a crucificação de Cristo houve uma intensa perseguiçãp aos seguidores cristãos não só em Roma, mas também no império Turco, Grego e Otomano.
Essa Perseguição aos seguidores de Cristo durou quase 300 e os fiéis seguiam fazendo suas reuniões... As esposas dos políticos romanos, em sua maioria, aderiram ao cristianismo e passaram a apoiar a religiao... Foi assim até o ano de 313, quando o imperador Romano Constantino I baixou um decreto tirando o cristianismo da ilegalidade.
O império romano se uniu aos cristãos para continuarem fortes... O mesmo povo romano que havia crucificado Jesus, 300 anos após, quando só haviam os filhos de netos e de tataranetos dos que haviam martirizado Jesus. Ou seja, ninguém ligava especificamente a crucificação de Cristo ao império romano.
Os povos da Antiguidade faziam hinos e canções para homenagear deuses, festejar acontecimentos, celebrar vitórias nas guerras, lamentar as coisas e celebrar o amor - como é feito atualmente no Brasil na literatura de cordel, por exemplo.
Entre os séculos I e II, o cristianismo ganhou força. Como os rituais cristãos eram proibidos eles eram realizados nas catacumbas romanas... Foi assim até o ano de 313, quando a religião foi retirada da ilegalidade, por Constantino I, o que deu início à Idade Média.     

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Guerra na Líbia é muito mais séria do que se imgina...

A guerra na Líbia nada mais é do que um desdobramento da Guerra contra o terror que foi iniciada em 11 de setembro de 2001, com a queda das Torres gêmeas do Wordl Traide Center...
Na guerra contra o terror os americanos empreenderam a gerra do Afeganistão e como não conseguiram capturas o Osama Bin Laden, mentor da Al Qaeda, desviaram o foco para a guerra do Iraque... Pegaram Saddam Russein e enforçaram ele!...

Um espetáculo para a mídia!!!

Bin ladem continua vivo e efetuando seus atentados terroristas... A guerra do Afeganistão, com o desdobramento do Iraque e os atentados de Londres e Paris indicam que a guerra está longe de acabar.

A guerra na verdade não é contra o terror, mas sim em busca de petróleo... Os Estados Unidos iniciaram a guerra libiana, mas tendo em vista o fracasso, das informações falsal de "armas de destruição em massa", a guerra do Iraque gerou um rombo nas contas públicas americanas. Com a ogravante da quebra do "Lemam brother's" e outros em 2008 a situação e agravou.

Bem, o mundo é cíclico, e pelo que se pode observar este ciclo completa sua volta a cada um século, ou um pouco menos, como se pode observar, pois a crise econômica dos anos 1930 está se repetindo agora, início do século 21, novamente em escala mundial.
A primeira guerra mundial, que é de 1913 torna a acontecer agora, em 2011, 29 anos antes de completar 100 anos...

Estamos vivendo a Terceira Guerra Mundial. Os Estados Unidos, por falta de dinheiro e pelos resultados das guerras empreendidas no início do século, assumiram uma posição de neutralidade, após ter iniciado o conflito na Líbia, querendo passar o comando para a França ou qualquer outro Aliado... Quem empreendeu as guerras no século 19, por exemplo, foi Napoleão Bonaparte, e devido a isso o Brasil é o que é hoje... A Família Real portuguesa veio para cá. Se não fosse isso, o Brasil, que a partir de 1808 se tornou a capital do império português, o Brasil não seria o que é hoje. Como diria Zeca pagodinho: "Aos trancos e barrancos lá vou eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu"...

Voltando à Líbia, a coalisão que se formou entre os países para derrubar Muhamar Kadafi se mobiliza cada vez mais. Agora, com a retirada dos EUA de cena a iniciativa perdeu forças, mas o início da da guerra foi dado e os "ditadores de plantão" mundo á fora irão apoiá-lo porque ditador não gosta de eleição, mesmo tendo alcançado o poder através dela...

No Brasil, por exemplo, o país não começou em 2002, como o ex-presidente e todo o seu staff, incluindo a presidenta Dilma Roussef, gosta de ressaltar. Também não acabou em 2010! O país é um processo. Nosso povo não teria a maturidade que tem hoje se não tivesse havido o Golpe de 64 e em 94, com as "Diretas Já", meio que acabado meio a torto e à direita, ou esquerda, como preferir.

O governo Dilma não é a continuação do governo Lula. Não começou em 2002. Coeçou em 2010! Apesar de o povo não ser tão imaturo quanto à iniciativas ditatoriais, não soube enxergar o embrião ditatorial que existia no governo Lula e que, por definição da própria presidente, se mantém no governo Dilma Roussef...   

terça-feira, 5 de abril de 2011

Causos de Oficeboy

Quando eu trabalhava como Auxiliar Administrativo, em 2008, quase todos os dias que eu ia para o Centro da cidade do Rio de Janeiro. O Rio realmente é uma cidade feita de cultura e histórias... Quase todos os dias alguém, dentro do ônibus puxava assunto comigo e íamos conversando. 

Teve uma vez que eu peqguei o ônibus para lá e comecei a conversar com uma senhora de de óculos e cabelos brancos que disse que conhecia o Lula, pois tinha fundado o PT (Partido dos Trabalhadores) com ele. Peruntei o que ela achava do governo que ele estava fazendo e ela disse qe concordava em partes... Quando cheguei ao meu destino, salatei tão rápido da condução que esqueci de perguntar o nome dela...falha minha.

Teve outro dia, indo também para o Centro que um senhor puxou papo comigo e disse que era cantor e começou a cantar para mim no ônibus! Disse a ele que isso era uma coisa legal. Ele comentou que tinha ido no programa do Flávio Cavalcante e que o nome artístico dele era Paulo Andarde. falei que conhecia uma pessoa que havia trabalhado na produção do programa dele - O Claudomir Broxado -, e ele continuou cantando até chegar no Centro, quando tive que saltar. saltei do ônibus com pena, pois o papo era legal. Peguei o telefone dele, mas quando liguei um tempo depois fui informado de que ele havia morrido... Que pena. Ele havia comentado que tinha 83 anos.

Cheguei a comentar esses encontros, estas pessoas que eu encontrava nos ônibus da vida indo para o Centro com um amigo meu, o Allan Bras, e ele falou que: "Isso só acontece com você. Se eu pegar um ônibus para o Centro ou para a Barra ninguém conversa comigo e nada acontece. Essas coisas só acontece com você!"... Ficamos os dois rindo muito desses acasos da vida, e que como ele mesmo disse, só acontece comigo... 

É mole?...

sábado, 2 de abril de 2011

Raízes do Brasil

No dia primeiro de abril, logo depois que acabou o Sarau da Carioca, o que devia ser umas 13:30, fui andando para a Cinelândia e encontrei o "Obama Brasileiro". Dei-lhe uma Sopinha de Versos...
Quando cheguei ele estava conversando com um outro senhor sobre a população negra dos Estados Unidos e sobre a parcela da população americana que apoia o governo Obama.
Começamos a conversar, os três, sobre como ainda é presente o preconceito na sociedade americana, e como o negro lá ainda é muitíssimo discriminado...
O "Obama Brasileiro" comentou que ele tem uma amiga que mora no Alaska que disse que o governo Obama tem ainda 55%de aprovação dos americanos. 35% é contra o governo do presidente e que 5% se mantém na neutralidade... Disse ainda que a população "estadudinense" se encontra muito dividida e é por isso que o Obama consegue manter-se na presidência.
Falei que o preconceito lá ainda era muito forte mesmo, e que o Obama só conseguiu se eleger para a presidência porque a mãe dele é branca, ou seja: ele é considerado branco nos Estados Unidos...

Da mesma forma que lá, se uma pessoa for branca ou morena, por exemplo, ela é considerada negra pela ascendência dela... Nos EUA, só para se ter noção de como são as coisas lá, se uma pessoa negra estiver sentada em um ônibus público e outra pessoa branca chegar e não tiver lugar para ela na condução, a pessoa negra é obrigada, por lei, a se levantar e ceder o lugar para a pessoa de ascendência branca que está de pé... Pelo que sei, isso só acontece em ônibus público. Nos ônibus escolares, os "school bus" e em ônibus particulares ou de viagem não... Mas só isso já é uma baita sacanagem  com a pessoa negra - isso eu não falei na conversa, mas são algumas coisas que sei que acontece lá.

O outro senhor que estava conversando com ele perguntou se ele não tinha vontade de viajar para os Estados Unidos... 
Comentei que eu estava fazendo um sarau de poesia no Largo da Carioca e que nos saraus sempre era homenageado um autor por mês, "e que hoje foi homenageado Augusto dos Anjos, que era um poeta negro, que viveu no início do século 20..." Dei-lhe uma sopinha, entreguei outra para o senhor que estava conversando com ele - que também era negro -. Ele apertou minha mão e foi embora dizendo que estava atrasado e saiu andando em direção ao Teatro Municipal. Fui andando também para lá...
Durante o caminho teve uma ambulante, vendedora de camisas do Bob Marley que começou a dizer "Sai daqui! É isso mesmo, sai daqui. Fica roubando o Brasil..."
Fui até a barraquinha dela para saber o porquê desse enxuvalho ao "Obama Brasileiro". Ela começou dizendo que não gostava de americano porque eles só vinham aqui para roubar os nossos recursos naturais".
Aí, comentei que os Estados Unidos eram parceiro do Brasil, e ela retrucou: "Parceiro nada. Eles só querem roubar o Brasil". Comentei que era parceiro sim, no sentido econômico e que achava que o Brasil já estava exportando para os EUA alguns produtos acabados, e ela dizendo que os americanos eram ladrões...
Disse a ela que o Obama iria fazer o discurso na Cinelândia, e ela me dizendo que, os ambulantes do local - inclusive ela! - não deixaram! Que se ele fizesse o discurso na Cinelândia, ela e outros companheiros estariam lá só para vaiar... Bem, o discurso era aberto ao público e qualquer um poderia estar presente e vaiar, agora se o motivo da troca do local do discurso para dentro do Teatro Municipal foi esse mesmo eu não sei. 
A mídia andou especulando que foi uma medida de precausão de um possível atentado a ele, ou que era para evitar que o comercio fechasse no dia do discurso, ou alguma coisa nesse sentido. O motivo verdadeiro ninguém sabe... É sabido que existe um braço da Al Qaeda nas fronteiras do Brasil com países vizinhos, como a Argentina, Bolívia e Venezuela... 
Quando perguntei o nome dela ela disse que era Matilde. Ao lado dela estava um adolescente com o nome de Nabi... Comentei com ele também que antigamente, antes da formação do império português, a região onde está localizada Portugal era habitada por árabes, judeus e mouros e que talvez, o nome dele tivesse alguma influência deste fato. Ele concordou... Disse a ela (Matilde) que eu tinha um amigo que tocava em um grupo quilombola e que eu ia tentar apresentar ele também...    

Primeiro de abril...

No dia primeiro de abril, primeira sexta-feira do mês, como sempre, realizei o Sarau da Carioca. O evento estava marcado para começar meio-dia-e-meia... Deu meio-dia-e-meia e começamos a nos revezar na leitura das Sopinhas de Versos, que estava homenageando Augusto dos Anjos...
Não sei se foi por causa da leitura de versos ou não, mas a banca de livros dele (do carlão) começou a encher de gente. Teve até um senhor que se sentou e ficou ouvindo nós nos revezarmos. Quando convidamos ele para participar lendo as poesias também, ele não quis... Continuei lendo, sozinho as poesias das sopinhas - afinal, poeta não desiste nunca de se manifestar.
A banca ficou tão movimentada que o Carlão falou: "É melhor a gente parar, a anca tá movimentada e eu não tô podendo te dar atenção..."
Tudo bem, recolhi as sopinhas, que ainda tinham bastante e comecei a distribuir os livros, que eram algumas doações da Editora Moderna que estava apoiando o sarau, além do CNA, que apoia o projeto desde o começo...
A editora havia me dado alguns livros para sortear entre os particiantes do sarau. Como só tinham dois participantes (o carlão e o Francisco, ambos livreiros do Largo da Carioca)... Fui procurar o Francisco para dar um livro-cortezia para ele e de repente me chega uma pessoa e me pargunta: "Aonde é que é a poesia?", no que respondi: "É comigo mesmo!".
A pessoa me abraçou dizendo: "Eu sou a Rita". Disse que o sarau já tinha acaado (por falta de córum), mas que se ela quisesse poderíamos reinicia-lo... "Então vamos..."
Com ela estavam mais três poetas... Reiniciamos o sarau, que foi um sucesso! Comentei com a Rita que o carlão era compositor da Mocidade, e ela fez questão de ouvir uma música dele...
Durante o sarau, no revezamento dos poetas para lerem as Sopinhas de Versos, fiquei olhando para a Rita, meio que reconhecendo ela, mas com o pé atrás, sabe...
Em uma determinada hora do sarau perguntei: "Por acaso você já trabalhou no Adolpho Bloch?", e ela de imediato respondeu: "Já!"
Depois de alguns segundo pensando em como eu poderia falar para ela que havia estudado lá também, retruquei: "Eu sou o que fez o livro...", e ela começou a me abraçar dizendo que eu tinha sido aluno dela... Eu não fui aluno dela, mas deixei.
Na verdade falei isso porque na época em que eu estava no terceiro ano do segundo grau (2001). NO mês de maio um amigo meu me perguntou: "Você não tem um livro pra fazer?", respondi que sim; "Procura a professora Giselhe..."
Depois de alguns dias resolvi procurar por ela dizendo que eu tinha um livro para fazer. Ela falou que era para mim dar para ela as poesias. Fiz isso! Depois de alguns dias ela me apareceu com um protótipo do livro. Levei para casa, mostrei à minha família que me deu o livro (100 cópias) de aniversário... Isso me tornou uma referência no colégio!
Eu sempre fui cara de pau e sempre ia para frente da sala de aula, no intervalo dos professores, para falar minhas poesias. Isso desde a oitava série, que foi quando comecei a fazer o que chamo de po-esia-poesia, pois antes fazia músicas-poesia, de brincadeira com aguns amigos, como uma paródia da música Pai de Fábio Júnior:

Pai, você é filho da mãe,
Sobrinho da avó,
do filho de te criou.
Pai, você é meu pai,
nada mais que meu pai.
Coitado de você...
Pai, você é meu pai,
Você é filho da mãe,
coitado de você...            (isso foi em 1998)

No fim de 1997 também fiz outra musiquina com uns amigos meus:

Sinceramente,
Quanta gente não tem um parente.
Quanta gente está tão ausente,
Num dia de natal,
Sofrio então.
Sinceramente,
Quanta gente não tem um parente.
Quanta gente está tão ausente,
Num dia de natal,
Sofrido então...
Sinceramente, não aguento falar mais de tanta gente...

_Só saiu isso na época!

No ano seguinte fiz a minha primeira poesia-poesia, peguei gosto pelo negócio e não parei mais... A minha primeira poesia se chama Brilhando e que está no meu primeiro livro intitulado "Um Toque de Poesia"

Acariciar sua doce face,
Tocar em suas mãos geladas
E depois sou canção favorita,
Ao som de um violão,
Flor margarida.
Protegendo este canto,
raspando todo encanto,
E deste proibido é que nasce,
A nssa chama de vencer,
Tentando sobreviver,
a mais um canto de seu ser
à luz do luar.
Reverenciando a consciência,
Comandando o nosso renascer,
de entro de nosso ser.
Sinceramente,
Não sei se vai me obedecer,
porque estaremos juntos,
só eu eu você...                 

Essa foi a primeira poesia-poesia, ou seja, a primeira criação textual já nos moldes de poesia... Acabei virando o poeta do colégio. No Adolpho Bloch também, e no terceiro ano (2001), fiz um livro...

Teve até uma vez que, o pessoal que gostava de música e que faziam minifestivais de música estava fazendo o evento enquanto eu estava na cantina do colégio, que é distante...
Teve uma pessoa que leu uma poesia, aí o pessoal da minha sala começou a gritar o meu nome - fazendo arruaça. Teve uma menina que me chamou até o local e quando cheguei lá o pessoal estava gritando: "Dennys! Dennys! Dennys! Dennys! Dennys!"
Cheguei. Subi no palco improvisado e comecei a falar a poesia Brilhando, que era a única que eu tinha de có na época... E o pessoal não parava de gritar, mesmo depois de eu chegar e começar a falar minha poesia...
Imagina: eu recitando e um monte de gente gritando: "Dennys! Dennys! Dennys! Dennys!", quando eu parava de recitar o pessoal também parava, mas quando eu voltava a falar a poesia o pessoal começava novamente... Na verdade, a galera da minha turma estava querendo é atrapalhar o festival do pessoal que gostava de música...
Bem, depois de eu ter publicado o livro, que foi lançado na Biblioteca Popular da Penha Alvaro Moreyra, a professora Giselhe, que havia feito o meu livro, fez uma revista literária para o colégio chamada "Ave Palavra", na qual colocou uma poesia minha e de outros poetas do colégio também, afinal, a Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (ETEAB), no final do século 20 e início do século 21, na verdade era um celeiro de poetas! Todo mundo fazia poesia ou gostava de ouvir poesia. As que não gostavam eu perguntava "Por que você não gosta de poesia?" e começava a falar as minhas que eu fazia em sala de aula e no fim a pessoa acabava adimitindo que gostava sim de poesia.
Nessa revista que a Gselhe fez, a "Ave Palavra" tem uma poesia chamada Parlenda Primeira:

- Cadê a palavra de tava aqui?
- O Poeta escreveu.
- Cadê o Poeta?
- Tá tirando versos.
- Cdê o verso?
- O povo leu.
- Cadê o povo?
- Está caminhando pelas ruas.
- Cadê as ruas?
- Estão indo pra praça.
- Pra que praça?
- Pro povo.
- Pra que povo?
- Pra germinar ideias.
- Pra que ideias?
- Pro povo viver
- Não comem ideias.
- Nrm vivem só de pão.
- Dei-lhes pão.
- Não querem dado.
- Por quê?
- Pensão que tem direito.
- Direito sobre o quê?
- Inclusive sobre pão.
- Deixem que se virem.
- Já estão sobrevivendo.
- Haaa... isto eu só acredito vendo.
- cadê o poeta que tava aqui?
- Tá trocando verso.
- A troco de quê?
- De esperança e tempo.
- Quem é que troca?
- Quem não tem tempo de ter esperança.
- Que tempo é esse?
- O de viver.
- E o poeta vive de quê?
- De palavras
- Eliminem as palavras.
- Não adianta.
- Por quê?
- Ele as cria.
- Criaremos um poeta?
- Não podemos.
- Por quê?
- Já nasce feito.
- Quando é que morre?
- Não morre. É imortal.
Ora, imortal é apenas uma palavra.
- Cadê a palavra que tava aqui?            (Rita Maria de Lacerda)

Reconheci o poema - que está na revista "Ave Palavra"  e disse a ela que já tinha ouvido esta poesia antes... Alguma coisa me parecia familiar nela... Resolvi perguntar se ela já tinha trabalhado no Adolpho Bloch. Ela disse que sim... Depois de alguns egndos de reflexão de como eu poderia me identifcar para ela, apenas disse: "Eu sou o que fez o livro." Pronto! Ela me reconheceu... Me acraçou dizendo que eu já tinha sido aluno dela...

_ Foi legal!

A vida está sempre dando voltas, principalmente entre os amantes da poesia, afinal, apensar de serem variados, são poucos ainda os saraus existentes no Rio de Janeiro, mas este número está crescendo... Na verdade os saraus são iniciativas comunitárias, ou seja, é a própria comunidade de uma localidade, seja um bairro, uma rua, uma cidadezinha pequena de interior, ou até mesmo uam Comunidade (no sentido de favela) que se reunem para fazer um sarau...
 Esses saraus estão sempre surgindo e morendo ao mesmo tempo, pois, é difícil conseguir um patrocínio, ou mesmo um apoio para esta iniciativa... Diversos saraus estão sempre começando e acabando por falta de incentivos, pela situação da poesia na Sociedade.
vieram me falar que a poesia est´pa morta no Rio de Janeiro. Quando comentei que tinham me falado isso com o Evando, o dono da Biblioteca Comunitária Tobias Barreto, na Vila da Penha, ele começou a dizer em voz alta: "Quem te disse isso é uma pessoa completamente desenformada! na Vila da Penha eu faço distribuição de versos na praça já há 20 anos!"
Coisa que eu nem sabia! Disse isso a ele. Disse que sabia que ele estava colocando versos nos meio-fios das calsadas da Vila da Penha, que é o projeto "Verso na Calsada", mas que não sabia que ele distribuia versos nas praças... Disse que se soubesse tinha falado com a pessoa que me falou isso. Até cheguei a falar que na Vila da Penha existia uma biblioteca comunitária, mas a pessoa foi enfática: "Isso é na Vila da Penha. Aqui na Penha não tem nada!"

_ Em fim, a poesia está voltando com tudo, basta agora os poetas de plantão retirarem os versos das gavetas, e ao mesmo tempo, guardarem a vergonha e a timidez nela e sair falando as suas criações pelas ruas.


Por falar em poetas avergnhados, no sarau do dia primeiro de abril, e não é mentira, teve uma poetiza - uma senhora - que escreve versos, mas que segundo a Regina Lacerda nunca os falava por conta da danada da verganha. Bem, no sarau ela falou! Recitou os seus versos...

A atitude dela deveria ser seguida por todos! E para encerrar este texto gostaria de usar as palavras da Tereza Drummond, sobrinha de carlos Drummond de Andrade - o poeta do século 21- dizendo:

_ Poeta saia da gaveta...

                                                                   Dennys Andrade